sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ambientalista Augusto Carneiro completa 90 anos e é homenageado neste sábado, em Porto Alegre

Ambientalista Augusto Carneiro completa 90 anos e é homenageado neste sábado, em Porto Alegre
Um dos pioneiros do movimento ambiental gaúcho, Augusto Carneiro, completou 90 anos no último dia 31 de dezembro, mas ambientalistas e amigos vão homenageá-lo neste sábado, dia 5/1, na Feira dos Agricultores Ecologistas, que acontece no bairro Bonfim, em Porto Alegre. O ‘parabéns’ será previsto para às 11h, junto à banca de ecologia, onde Carneiro há 23 anos vende livros, distribui artigos e interage com as pessoas, comunicando-se, canalizando e passando informações ecológicas importantes. A homenagem visa resgatar um pouco da história desse militante e incansável atuante da comunicação ambiental.
É pelos seus artigos e pesquisas, que Augusto Carneiro, considerado um dos mentores da primeira rede de comunicação ambiental do RS, ainda no início dos anos 70 e, portanto, muito antes da internet, foi homenageado na abertura do II Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado em outubro de 2007 em Porto Alegre.
Outra homenagem ele recebeu em abril de 2009, pela Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), primeira ONG ambiental do Brasil, que Carneiro ajudou a fundar, em 27 de abril de 1971, ao lado de José Lutzenberger e Hilda Zimmermann.
Em 1988, ajudou Lutzenberger a fundar a Fundação Gaia. Militou também na Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, núcleo gaúcho, e presidiu a Associação Ambientalista Pangea. Augusto Carneiro é também autor de A História do Ambientalismo (Ed. Sagra Luzzato), advogado, livreiro e ecologista há mais de 40 anos.
Militância
Nascido em Porto Alegre, em 31 de dezembro de 1922, Augusto César Cunha Carneiro foi um dos fundadores da Feira do Livro de Porto Alegre, há mais 50 anos, com a banca da Livraria Farroupilha, organismo do Partido Comunista. Foi contador, servidor da Justiça do Trabalho e, finalmente, advogado.
Ainda antes de se aposentar, no final da década de 1950, Carneiro acompanhava as crônicas de Henrique Roessler, no suplemento rural do Correio do Povo, como fiscal de caça no Estado. Morto o personagem que corria atrás de caçadores na região do Vale dos Sinos, Aparados da Serra e arredores, muita gente ficou órfã da UPN – União Protetora da Natureza, que centralizava a atuação em defesa do meio ambiente. Em 1970, José Lutzenberger retornou a Porto Alegre cheio de novas ideias, atualizado com o que havia de melhor na militância no mundo.
Carneiro, juntamente com Mais do que um simples militante, Carneiro continua sendo o mesmo depois dos 80 anos de vida é a principal referência na divulgação das boas ideias ambientalistas. Foi através da distribuição de textos que fazia via correios ou pessoalmente em eventos, feiras e encontros, muito antes de existir a Internet, que Carneiro fez as ideias de Lutzenberger se tornarem conhecidas no Brasil.
Com um lado prático bastante acentuado, Carneiro batalhou pela criação e manutenção de várias Unidades de Conservação no Rio Grande do Sul, entre elas, a Estação Ecológica do Taim, a Estação Ecológica Aracuri/Esmeralda, em Aracuri (reduto do papagaio-charão), a Reserva Biológica do Lami, em Porto Alegre, o Parque da Guarita, em Torres, o Parque Estadual de Itapuã e o Parque Estadual Delta do Jacuí, entre outros.
Agapan
A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural foi fundada em 27 de abril de 1971, em Porto Alegre. Neste ano de 2013, a entidade pioneira do movimento ambiental completa 42 anos. Com uma atuação global, a Agapan foi declarada de Utilidade Pública Municipal e Estadual. O trabalho é totalmente voluntário, ou seja, a entidade é mantida por doações e contribuições voluntárias e do trabalho qualificado dos associados.
A Agapan iniciou o movimento ecológico no Brasil em abril de 1971 e de lá pra cá levantou praticamente todas as bandeiras de luta da questão ambiental: poluição hídrica e do ar; erosão e contaminação por agrotóxicos; educação ambiental; explosão demográfica; poluição radioativa; desmatamento; tecnologias e energias alternativas; paisagismo e urbanismo; culturas indígenas; hidrelétricas; proteção ao consumidor e consumismo predatório; lixo urbano e reciclagem; economia ecológica; agroecologia; espécies ameaçadas de extinção; planejamento urbano e regional; criação de parques e reservas.
A primeira campanha pública foi contra a poda de árvores em Porto Alegre. O resultado foi uma legislação municipal proibindo a poda, considerada a primeira vitória da Agapan.
Atualmente, a Associação atua em campanhas contra a descaracterização cultural e a perda da biodiversidade do Bioma Pampa, que ocorre com a introdução de monoculturas florestais; a problemática dos cultivos transgênicos e seus efeitos na saúde e no ambiente; o patenteamento dos seres vivos; os megaprojetos associados ao aquecimento global; a flexibilização e o retrocesso nas aplicações da legislação; contra as pressões da indústria da construção civil sobre o planejamento urbano de Porto Alegre; ou seja, contra o modelo de desenvolvimento predatório vigente.
Informações
Assessoria de Imprensa da Agapan/RS
Artigo da Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues, com apoio da jornalista Vera Damian, da EcoAgência
Fonte: REDE Os Verdes/via e-mail

Um comentário:

Dilmar Gomes disse...

Justa e merecida homenagem a este grande gaúcho, homem dedicado as boas e necessárias causas.
Precisamos de muitos Augustos Carneiros.
Parabéns para o blog, condutor incasável da bandeira ecológica.