terça-feira, 20 de setembro de 2011

Para receber UPP, mutirão retira lixo da favela da Mangueira, no Rio de Janeiro

Para receber UPP, mutirão retira lixo da favela da Mangueira, no Rio de Janeiro
Secretaria Estadual de Segurança confirmou previsão de entrega desta base para outubro
Foto: Wilton Junior/AE
Lixo recolhido é resultado de um acúmulo de 10 anos 
Por Tiago Rogero
RIO - Um mutirão de limpeza teve início nesta terça-feira, 20, na favela da Mangueira, zona norte do Rio, ocupada em 20 de junho pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).  
Cerca de 200 moradores que vivem nos antigos prédios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aos pés da comunidade, comemoraram a primeira remoção do lixo acumulado durante cerca de 10 anos, desde a invasão dos edifícios abandonados. 
O lixo era tanto que tomava o térreo e saía pelo vão do elevador no segundo andar, em um dos prédios. São dois, um de cinco e o outro de 14 andares, e em ambos quase nada restou dos tempos de IBGE. Policiais do Bope e funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) precisaram da retroescavadeira e um caminhão para começar a remoção da sujeira, que só deve acabar amanhã. "É desumano, isso aqui sim é violência", disse um dos PMs. 
A moradora mais antiga dos prédios, Ivanilde Araújo Machado, de 37 anos, uma espécie de síndica para os vizinhos, admitiu que parte da culpa pelo acúmulo de lixo é dos moradores, que jogavam tudo pelo vão do elevador. 
"A gente relaxou, mesmo. Mas só porque, quando levávamos para o asfalto, ninguém recolhia", disse. O prédio, onde moram dezenas de crianças, não tem água encanada. Ninguém toma banho de chuveiro. A luz, segundo os moradores, é clandestina. 
"A gente não tem dignidade. Não aguento mais. Um rato já mordeu o rosto da minha filha", disse Rita Cássia Santos, de 29 anos, mãe de três filhos, grávida de mais um. O mutirão de hoje foi organizado pelo Bope e contou com apoio da secretaria do Ambiente, que focou em ações de combate à dengue. "É uma forma de aproximar a polícia da comunidade. Quando falamos em coleta de lixo, falamos em dignidade", disse o sargento Max Coelho, do Bope. 
A instalação da UPP da Mangueira estava prevista, inicialmente, para 45 dias, e depois adiada para outubro. Hoje, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança não quis confirmar a data. Os prédios, segundo a secretaria municipal de Habitação, serão transformados em um centro de cultura, entretenimento e educação. 
"As famílias serão cadastradas e reassentadas pela secretaria", informou. Segundo a Comlurb, a coleta é feita diariamente na comunidade. A partir do mês que vem, um novo sistema de coleta será realizado duas vezes ao dia. 
Fonte: Estadão

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