terça-feira, 9 de agosto de 2011

Índios bolivianos protestam contra estrada

 Índios bolivianos protestam 
contra estrada
Obra de 300 km através da floresta amazônica passaria por dentro de reserva indígena; Morales diz que estrada sai 'quer eles queiram ou não'
O presidente boliviano Evo Morales apimenta seus discursos com menções à mãe-natureza, culpando os países ricos e os grandes negócios pelo aquecimento global e por crimes contra o meio ambiente.
Mas o esquerdista Morales, primeiro presidente de ascendência indígena, está encarando forte resistência de sua base indígena por conta dos planos do governo de construir uma estrada de 300 km através da floresta amazônica.
A estrada de R$ 420 milhões, que será construída pela empresa brasileira OAS e largamente financiada pelo Brasil, vai conectar planaltos amazônicos de Beni até Chapare, uma região de povoamento esparço onde Morales começou sua carreira política como líder dos plantadores de coca.
Evo Morales, aliado ideológico muito próximo de Hugo Chávez, fez do projeto da rodovia um dos pilares de sua política de alavancar o investimento em infraestrutura na Bolívia, uma nação empobrecida.
Ele já experimentou um apoio sólido da maioria indígena desde que assumiu, há cinco anos, embora tenha encarado protestos dos mineiros dos Andes por conta de condições de trabalho e, mais recentemente, por causa de uma tentativa frustrada de elevar o preço dos combustíveis.
Mas no mês passado ele deixou os ativistas indígenas zangados ao dizer que a estrada seria construída passando pelo meio do Parque Nacional e Terra Indígena Isiboro Secure, "quer eles gostem ou não".
Ele acusou os ativistas de servir aos interesses de ONGs estrangeiras ao invés de servir a seus próprios irmãos. A controvérsia colocou o presidente na defensiva três meses antes das eleições judiciais nacionais, parte de uma ampla reforma para dar às populações indígenas maior papel nos assuntos de Estado.
"Há uma evidente contradição no discurso de Morales, pois ele fala em proteger a mãe natureza e a identidade cultural mas ao mesmo tempo em promover projetos de desenvolvimento", afirmou Miguel Urioste, especialista em questões indígenas na Bolívia.
Fonte: Estadão

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