sábado, 20 de agosto de 2011

Dia Mundial de Luta Contra Belo Monte - Brasil

Organizações ambientais realizam hoje (20 de agosto) ato mundial contra Usina Belo Monte
Por Jeane Freitas
Jornalista da Adital 
O Movimento Xingu Vivo para Sempre, o coletivo de organizações, movimentos sociais de ambientalistas da região de Altamira, e o Movimento Brasil pela Vida nas Florestas realizarão neste sábado (20 de agosto), das 14h às 17h, um Ato Mundial contra Belo Monte, hidrelétrica que será construída no estado do Pará, região Norte do Brasil. O ato mobilizará vários estados brasileiros e diversos países como Austrália, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Indonésia, México, Holanda, Escócia, Taiwan, Turquia e Estados Unidos. 
No Brasil, 15 cidades participam da mobilização, dentre elas São Paulo. As entidades estarão mobilizadas para fazer, na tarde de amanhã, um grande momento de denúncia, protestos e danças circulares com os indígenas de Kalapalo da região do Xingu de Mato Grosso, que residem no estado. O cacique Kaiapó Megaron Txuxarramãe, juntamente com o cacique Raoni Metuktire, simbolizam a resistência de mais de 20 anos contra os projetos de hidrelétricas no rio Xingu. 
Para Sany Kalapalo, da tribo dos Kalapalo, que mora em São Paulo há nove anos e é uma das organizadoras do evento, "Belo Monte é uma ameaça, uma guerra e por isso o ato terá um sentido de vitória”. Ela afirma que essa é a segunda vez que o evento acontece, porém esse ano tem um sentido diferente, porque estão fortalecidos pela presença de muitas entidades. 
Segundo Marcos Antonio Morgado, membro do Movimento Brasil pela Vida das Florestas, "o ato quer trazer a pauta que estava sedimentada sobre a revogação da aprovação da hidrelétrica. Com a revogação, será possível realizar consultas públicas e audiências que assegurem o direito da comunidade que está diretamente ameaçada”. 
Para o Movimento Xingu Vivo para Sempre, o ato global acontece no momento em que a população brasileira tem testemunhado inúmeros casos de agressões contra a Amazônia e os povos das florestas provocadas por decisões independentes do governo sem o consentimento das comunidades nativas. "O governo não pode fazer o que bem entende só porque é governo”, criticam. 
Dentre as agressões apontadas pela coordenação da mobilização estão a autorização que o governo cedeu para dar início à construção de Belo Monte; a aprovação do Código Florestal que diminuiu a proteção das matas; a violência na região da Amazônia que continua vitimizando as lideranças comunitárias, para citar apenas algumas. 
Estima-se que serão investidos cerca de 30 bilhões na construção da usina, sendo que 80% será dinheiro público do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Apesar da propaganda governamental de que a hidrelétrica será a 3ª maior do mundo, a produção de eletricidade não passará de 39%. 
Para alertar a sociedade sobre esta situação, o Movimento Xingu Vivo para Sempre e outras entidades estudam a possibilidade de puxar uma campanha intitulada "Belo Monte - com meu dinheiro não”, para que a população não assista à distância os bancos públicos e privados aplicarem seus investimentos para destruir a floresta e seus nativos.
Hidrelétrica de Belo Monte 
Belo Monte é um projeto de construção de usina hidrelétrica previsto para ser instalado em um trecho de 100 quilômetros no Rio Xingu. Sua potência instalada será de 11.233 MW, o que fará dela a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira, visto que a Usina Hidrelétrica de Itaipu está localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai. 
Desde a concepção do projeto da hidrelétrica, povos indígenas, ribeirinhos, ambientalistas e movimentos sociais lutam contra a transformação de Belo Monte em realidade, visto que a obra afetará para sempre o meio ambiente e a população local. O Ministério Público Federal (MPF) também vem empreendendo uma luta para que o processo seja justo. Na última quarta (17), o MPF no Pará impetrou a 13ª Ação Civil Pública contra Belo Monte, argumentando que a seca de parte do Xingu causará inevitavelmente o deslocamento das populações indígenas locais.
Fonte: Adital

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