quinta-feira, 9 de junho de 2011

Hilda Zimmermann foi matéria no Jornal Estado de S. Paulo

Ativista Júlio Wandam ao lado de Hilda Zimmermann em Porto Alegre
Hilda Zimmermann foi matéria no Jornal Estado de São Paulo
– Ô Juarez, o que dizes ao ver tua esposa de megafone na mão fazendo passeata pela Rua da Praia? 
Se a pergunta causaria desconforto a um marido conservador hoje, imagine-se em 1978, em plena ditadura militar, na capital de um dos Estados considerados mais machistas do Brasil, o Rio Grande do Sul. 
Mas, contrariando a expectativa do amigo que o alertava na ocasião, Juarez disse: 
– Hilda é mãe. Mãe é mulher. E apenas a mulher poderá salvar o ser humano do polo do perigo ao qual se lançou. Ela tem todo o meu apoio.
A passeata era contra um projeto habitacional que colocaria em risco porções preservadas de Mata Atlântica.
Graças ao pioneirismo de mulheres como Hilda Zimmermann, Magda Renner e Giselda Castro, o então governador Amaral de Sousa teve de receberum documento com as denúncias e o assunto chegou à imprensa. 
Jussara Cony - Secretária Estadual de Meio Ambiente ao lado de Hilda na AL/RS
Muito tempo depois, em solenidade no Congresso Nacional, Hilda, de 88 anos, receberia o Prêmio “Amigos da Mata Atlântica”, uma entre tantas deferências a sua trajetória de luta pela causa ambiental e pelo direito dos povos indígenas. 
Augusto Carneiro
Ao lado de nomes como José Lutzenberger e Augusto Carneiro, ela foi uma das fundadoras da primeira ONG ambientalista brasileira e da América Latina: a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), que nasceu em 1971. 
Um tempo em que preocupações com agrotóxicos, queimadas e desmatamentos eram coisa para poucos abnegados – não raramente considerados excêntricos. 
Hilda teve desde sempre os ensinamentos do pai, um comerciante de Santa Rosa (RS), que nos idos de 1920 dava abrigo aos indígenas que passavam pela cidade e dizia: “Esta terra é dos índios, nós é que somos os invasores.” Anos mais tarde, ela fundaria a Associação Nacional de Apoio ao Índio (Anaí), da qual foi a primeira presidente. 
A veterana gaúcha faz uma analogia entre as funções delegadas à mulher, de proteção aos filhos, e o ecoativismo. “A mulher está identificada com o ser vivo, o feminino ‘Gaia’, o Planeta Terra”, observa a precursora ativista ambiental.
Fonte: REDE Os Verdes/Blog do PV/RS

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