sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Rios brasileiros: poluição e descaso

Rios brasileiros: poluição e descaso
Por Felipe Lobo

A baixa qualidade da água nos rios é um dos principais problemas enfrentados pelas populações das grandes cidades brasileiras. Mas não é só: a poluição afeta a biodiversidade e compromete uma série de serviços ambientais prestados pelos ecossistemas. Para entender em qual estágio de pureza estão os corpos d’água de uma das florestas mais ameaçadas do planeta, a Fundação SOS Mata Atlântica coletou e analisou amostras de 69 rios espalhados por 70 municípios em 15 estados brasileiros desde maio de 2009.
O estudo, porém, apenas verificou as visitas feitas entre janeiro e dezembro de 2010, com um total de 43 rios e 39 cidades brasileiras de 12 estados mais o Distrito Federal. O resultado não é nada animador.
O trabalho aconteceu durante o ano de 2010 através do caminhão do projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante”. De posse de um kit de monitoramento, foi possível classificar as águas de rios, córregos e lagos, por exemplo, em cinco categorias: péssimo (de 14 a 20 pontos); ruim (de 21 a 26 pontos); regular (de 27 a 35 pontos); bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos). Este sistema tem base no Índice de Qualidade da Água (IAQ), padrão definido pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), e as pontuações giram em torno de parâmetros como temperatura, espumas, peixes e lixo.
“As coletas de água foram realizadas em corpos d'água de regiões urbanas, mesmo no caso dos parques. Portanto, a principal fonte de poluição constatada foi o esgoto doméstico sem tratamento, ou com baixos índices de tratamento de esgotos. As consequências mais nefastas são as doenças de veiculação hídrica, o impacto aos ecossistemas e o empobrecimento das regiões afetadas pela poluição dos rios”, avalia Malu Ribeiro, coordenadora da Rede de Águas da Mata Atlântica na SOS.
É mais do que urgente, aliás, abrir os olhos para os impactos. Isso porque, dos 43 corpos d´água monitorados, 70% se enquadram no nível regular, 25% no ruim e 5% no péssimo. Ou seja, absolutamente nenhum chegou perto de índices de pureza considerados satisfatórios. Com 34 pontos, o Rio Doce (em Linhares, Espírito Santo) e a Lagoa Maracajá (Lagoa dos Gatos, Pernambuco) lideram o ranking. Já o Rio Verruga (Vitória da Conquista, Bahia) e o Lago do Quinta da Boa Vista (Rio de Janeiro, RJ), com 19 e 17 pontos, respectivamente, amargam as últimas colocações.
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