sábado, 15 de janeiro de 2011

O que leva alguém a se transformar em um ativista?

O que leva alguém a se transformar em um ativista? 
Aqui começa uma série de textos onde pretendo responder a essa pergunta, que tanto intriga amigos, familiares, conhecidos, e desconhecidos também. 
De vários fatores, creio que o mais importante para desencadear a metamorfose de um pacato cidadão em um ativista é a maneira com que ele se relaciona com a informação. 
O autor canadense Farley Mowat menciona no prefácio do livro Ocean Warrior, escrito pelo capitão Paul Watson, que jamais a informação foi tão acessível na história da humanidade, e que aqueles que se permitem ao luxo de se manterem alheios à realideade o fazem como escolha pessoal. Portanto, carregam a culpa pelo impacto que essa escolha tem no desenvolvimento da humanidade. 
Existem três padrões principais de relacionamento com o mundo das informações que são bastante característicos. As informações podem ser filtradas, conscientemente ou não, e só aquelas que são convenientes e confortáveis acabam por fazer parte da realidade do indivíduo. As informações também podem ser armazenadas para satisfazer necessidades intelectuais, motivadas por curiosidade, vaidade, status, etc. Por último, as informações podem ser absorvidas de uma forma mais visceral e urgem uma manifestação do indivíduo. 
Invejo muito as pessoas que se caracterizam pelo primeiro padrão, são os meus preferidos. O estereótipo brasileiro. Pessoas simples, precisam de pouco para serem felizes. 
Os intelectuais são pessoas interessantes, sofisticadas, cheias de novidades, desafiadoras. Pessoas com quem vale a pena investir uma tarde de sábado. 
Já os últimos, não se satisfazem em ser meros espectadores da história, e são incapazes de reagir com neutralidade ao conhecimento que detêm. Com a mesma intensidade que admiram as belezas do mundo e as virtudes da humanidade, combatem a destruição e as injustiças denunciadas diariamente nas páginas dos jornais. São apaixonados pela vida, pelo mundo, pelos outros. Esses são os ativistas.
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Imagens: Bárbara Veiga/ONG Sea Shephard


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