domingo, 17 de outubro de 2010

Carvão usado no Brasil incentiva desmatamento no Paraguai

 
Carvão usado no Brasil incentiva desmatamento no Paraguai
Por Antônio Biondi e Marcel Gomes
No departamento paraguaio de San Pedro, a indústria do carvão vegetal está - literalmente - a pleno vapor. Matas cortadas, fornos de pequeno e médio porte à frente das casas dos agricultores locais, caminhões carregados de carvão, madeira jogada à beira da estrada esperando para ser recolhida. Ao lado do gado no pasto, um ipê-roxo solitário é o registro da vistosa mata que um dia existiu naquela paisagem. O desmatamento em grandes áreas é substituído pelas áreas desmatadas nas pequenas propriedades, adaptando-se aos novos tempos e leis do país.
Quem vê as modestas casas de moradores da área rural com estoques de carvão armazenados no terreno pensa, de imediato, em qual seria o destino de tal produção. E, ao mesmo tempo, reflete sobre o que motiva essa cadeia produtiva do carvão no Paraguai. Seria uma decorrência da situação de pobreza dos camponeses, aos quais faltam opções? Ou uma situação estimulada pelos países vizinhos, com destaque para o Brasil?
Entre os caminhões carregados que transitam pelas rodovias da região, há os que ostentam interessante pista: desenhos de bandeiras do Paraguai, Argentina e Brasil. E uma pesquisa nas importações de produtos paraguaios por empresas brasileiras revela que siderúrgicas no Brasil importam carvão paraguaio, sem conhecer ou fiscalizar praticamente qualquer aspecto - ambiental, trabalhista ou social - referente àquela produção.
Comunidades indígenas
Se a situação dos produtores familiares é preocupante, a dos indígenas é classificada como "bastante problemática" por Nicolas Benitez, líder indígena da Coordenação Interegional dos Povos Originais (Cirpo), que representa cerca de 20 comunidades em quatro departamentos do Paraguai (Canindeyú, Caaguazú, Guayra e Itapúa). Com problemas nas áreas de educação, saúde, terra, e enfrentando a contaminação de seus recursos naturais por agrotóxicos, os indígenas convivem com um aumento crescente de problemas, inclusive arrendando terras para as empresas do agronegócio. Algo que a lei não permite, mas ocorre na prática, segundo Benitez.
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