terça-feira, 25 de maio de 2010

Mentiras e petróleo contaminam o Golfo do México

Mentiras e petróleo contaminam o Golfo do México 
Incontrolável o vazamento de petróleo já ameaça o Delta do Mississipi 
Cidade do México - Calcula-se que um volume de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia contamina incontrolavelmente o Golfo do México, do ponto em que afundou a plataforma flutuante da British Petroleum (BP) há um mês (em 20 do mês passado). 
Isto depuseram perante subcomissão do Congresso norte-americano que investiga as condições da catástrofe ecológica Steve Werly, professor da Universidade de Purdue, e outros cientistas, enquanto, simultaneamente, autoridade federais e representantes da BP referem-se a um vazamento de apenas 5 mil barris por dia e até argumentam que o maior volume deste vazamento está sendo recolhido. 
"Eles mentem. Aquilo que recolhem é somente um pequeno percentual do vazamento total", declarou Werly. Se forem confirmados os piores cenários dos cientistas, um mês de vazamento de petróleo é suficiente para criar uma mancha de petróleo com extensão de 18.184km, isto é, a distância entre Nova York-Buenos Aires ida e volta. 
Se, contudo, forem verdadeiras as afirmações da BP e o vazamento é menor, a mancha de petróleo não deveria superar hoje a distância entre Nova York e Washington. Entretanto, de acordo com os cálculos mais pessimistas, o volume de petróleo que vazou ao mar é 12 vezes maior do que aquele que provocou a catástrofe do petroleiro Exxon Valdez, no Alasca, em 1989. 
A mancha de petróleo já está atingindo o sul do Delta de Mississipi e ameaça as costas de Louisiana. Nos últimos dias, imensas camadas de petróleo atingiram as ilhas localizadas no ponto em que o Rio Mississipi atinge o mar, formando uma gigantesca zona vermelha escura. 
"É aquilo que esperávamos que não acontecesse, mas sabíamos que aconteceria", disse Andy Newman, professor-assistente de Ecologia, na Universidade Estadual de Louisiana. Também, Edwin Standon, chefe da Guarda Costeira declarou que não exclui o caso de as autoridades "atearem fogo nos pântanos de Louisiana, para limpá-los do petróleo com incêndios controlados", mas destacou que "algo assim constitui última solução". E arrematou: "Já fizemos isso no passado. É uma tática aceitável para limpar as áreas do petróleo. E podemos fazê-lo apenas uma vez". 
Laboratório atende à BP
 Indenizações totalizando US$ 42 milhões (isto é, US$ 4,2 milhões cada um) exigem dez sobreviventes da catástrofe provocada pela explosão na plataforma flutuante da BP, em 20 do mês passado. "Estes casos ficarão pendentes por muitos e muitos anos", disse Antony Bazbee, advogado dos sobreviventes. 
"O mundo estava em pânico. Urravam e pulavam na água para se salvar. Com todas aquelas explosões você só tinha duas opções: Ou se queimar vivo ou pular na água para, quem sabe, se salvar", disse Steven Davis, texano de San Antonio, um dos sobreviventes, que ainda denunciou: "Junto com outros colegas seus que sobreviveram, passamos 40 horas em isolamento total após a catástrofe por que a BP não nos permitia sequer telefonarmos às nossas famílias". 
Equipes de especialistas coletam febrilmente água e amostras de organismos marítimos para realização de análises. Estão sendo gastos centenas de milhões de dólares, porque os dados coletados serão utilizados pelo governo federal dos EUA e os tribunais para sustentarem as reivindicações de indenizações que deverá pagar a BP, proprietária da plataforma flutuante. 
Mas, segundo revelou o The New York Times, o laboratório escolhido e contratado pelas autoridades norte-americanas para analisar todas as amostras coletadas pertence a uma empresa de prestação de serviços de petróleo e gás natural, com sede no estado de Texas, cujo maior cliente é, nada mais e nada menos, do que a própria British Petroleum (BP), proprietária da plataforma flutuante que explodiu e afundou, causando o maior desastre ecológico, fato que provoca perguntas sobre conflito de interesses e deprecia a credibilidade das análises.
Por Gloria Bustamante 
Correspondente Monitor Mercantil
Contexto original: http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=79489

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