quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DENÚNCIA: A Farsa do Setor Noroeste

Imagens: Movimento Cerrado Vivo
A FARSA DO SETOR NOROESTE
“O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.” Martin Luther King
Um crime sócio-ambiental está ocorrendo bem debaixo de nossos olhos. A população só conhece a versão oficial da história, que vem sendo propagada pelos meios de comunicação chapa branca, enquanto isso, a última grande reserva do Cerrado dentro da área tombada de Brasília já está sendo destruída e a comunidade indígena que cuida daquele local está sendo expulsa.
O governo arrecada uma fortuna com a chamada " Ecovila" Noroeste, que diz ser o primeiro bairro ecológico do Brasil, mas na verdade trata-se de um tremendo engodo.
As verdadeiras Ecovilas que se espalham por todo o mundo são criadas em cima de áreas já degradadas pelo homem, aonde os futuros moradores irão recuperar o local , respeitando e se adaptando aos ritmos da natureza.
Na FALSA Ecovila do GDF, existe na verdade um projeto antiquado que será construído em cima de uma reserva ambiental e de um santuário indígena, projeto feito pelas construtoras da cidade e "doado" ao governo local, aonde se criou um bairro de luxo, onde o desperdício e a ineficiência serão predominantes.
Verdadeiras estufas de vidro e granito climatizadas com muito ar-condicionado. O projeto contraria todo e qualquer princípio de arquitetura ambiental, não pensou-se em criar um zoneamento para preservar a reserva florestal, muito pelo contrário, a avenida principal passa justamente na área com a vegetação nativa mais preservada, e que vem sendo cuidada e mantida pelos índios que habitam a região.
A farsa do projeto "sustentável" é na verdade uma repetição de clichês do chamado "marketing verde" ou melhor “maquiagem verde”, que serve única e exclusivamente para encarecer os apartamentos (captação de água da chuva e paineis solares para aquecimento de água já é lei em várias cidades do Brasil. É uma obrigação das construtoras e não um gesto em defesa da natureza).
A cara-de-pau do governo e principalmente da imprensa vendida é tão grande que usam justamente as riquezas naturais da reserva do Bananal e citam as suas árvores (copaíba, ingá, angico, baru, açoita-cavalo, barbatimão, pimenta de macaco, jequitibá etc) como itens para vender qualidade de vida para os futuros moradores.

Eles só não dizem que as mesmas árvores estão sendo destruídas por seus tratores na calada da noite. Com esta farsa o GDF já engordou o seu cofre com 1 bilhão de reais, fora a fortuna que as construtoras irão ganhar (as mesmas que elegeram o atual governador, fora o fato de que o vice-governador é um dos maiores empresários da construção da região). E com essa fortuna circulando, está todo mundo de bico calado, os deputados distritais defendendo os seus patrocinadores de campanha, o IBRAM órgão que só sabe abençoar o que o governo manda, e os que permanecem em cima do muro, FUNAI e IBAMA que lavam suas mãos convenientemente.
Enquanto isso o cacique Korubo, guardião do local que vinha sendo ameaçado de morte está DESAPARECIDO HÁ SEIS MESES, e uma residência indígena foi incendiada de maneira criminosa. Tenho certeza que você não leu e não lerá isso no Correio Braziliense.
Mas a atitude do governo e dos empresários já era esperada, estranho seria se eles se comportassem de maneira diferente.
O que não é admissível é ver a passividade do cidadão brasiliense, que terá a sua qualidade de vida extremamente prejudicada por esse tsunami de concreto e asfalto despejados em cima da última grande reserva de Cerrado dentro da área tombada de Brasília.
Especialistas em trânsito já falam do caos que virá em nossas ruas, igualando Brasília às demais capitais, com engarrafamentos intermináveis e poluição do ar.
O governo fala que a cidade não tem para onde crescer, assim justificando as suas atrocidades, mas ignora que naquela região poderia ter sido feito um verdadeiro bairro ecológico. Primeiramente delimitando a reserva ambiental e o santuário indígena, depois criando verdadeiras ecovilas nas áreas degradadas (pelo próprio GDF) do local, usando os princípios do urbanismo ecológico e da arquitetura bioclimática, onde teria uma população de moradores condizente com a fragilidade do local.
Mas o que está sendo feito é o extremo oposto, uma farra da especulação imobiliária que agride a inteligência da população mais esclarecida. Brasília vai fazer 50 anos, isso aqui não é mais terra de ninguém como pensam os políticos. O ministério público em março deste ano recomendou a suspenção de todas as licenças emitidas pelo Ibama para a construção do setor noroeste por irregularidades no processo, e recomendou ainda o estudo para a demarcação da terra indígena do Bananal.
A mobilização já está sendo feita, diversas ong´s, grupos estudantis, associações de moradores já estão nesta luta, mas ainda é pouco, precisamos da SUA participação também. Junte-se a nós.
PAREM OS TRATORES JÁ!!!
Contamos com a participação de todos na divulgação deste artigo, mas o mais importante será a presença física no local, para que todos possam olhar com os próprios olhos a riqueza e a beleza da reserva do Bananal, e a destruição que os tratores da “ecovila” estão causando.
Convidamos portanto para: TRILHA ECOLÓGICA NO SETOR NOROESTE
Dia 8 de novembro (domingo) a partir das 10 horas, encontro no estacionamento ao lado do canhão que fica entre o setor militar e o setor noroeste. Leve água e protetor solar.
Para que todos despertem para o fato de que uma cidade é feita por seus moradores, e não por políticos com interesses próprios.
Obrigado pela atenção,
Movimento Cerrado Vivo

6 comentários:

Angel Rojas Filho disse...

Dizer que estou surpreso, não... dizer que espero uma solução das autoridades: isso sim. Está na hora da tomada de atitudes.

Angel Rojas Filho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thulys Madeira disse...

Escrever e falar sobre uma situação observada pelos olhos de um pseudo-ambientalisto forjado em um amontoado de acusações sem a menor prova é bastante fácil e cômodo. Ainda mais usando da armadura do anonimato. Queria eu acreditar que realmente existem pessoas, de fato, interessadas em proteger o nosso cerrado. Não são críticas sem fundamentações e rídiculas passeatas que vão mudar alguma coisa. Estudo de caso e ações objetivas utilizando instrumentos que tenham eficácia, isso sim, traz algum resultado.

REDE Os Verdes/RS disse...

Olá Thulys, umas perguntas, você leu o artigo? Procurou se informar em outros canais sobre o mesmo assunto? E o que é para você "pseudo-ambientalismo"?
O que entendemos, e isso é normal, são situações que colocam em risco a vida dos animais, dos índios, das árvores e porque não dizer, de você também quando os "pseudo-ambientalistas" colocam em risco as suas vidas para defender o ar que respiras, a água que bebes, o alimento que consomes sem agrotóxicos, a sombra que irá refrescar teus caminhos. Isto tudo são os "pseudo-ambientalistas" é que fazem, ou quem, na sua concepção?
E estudos de caso e provas são para que se utilizem deste forma para burlar as leis. Os empreenteiros tem gente que é "formado" em faculdade para lhes fornecer as "provas" de que o lugar não é ambientalmente importante, pois estes vendem seus conhecimentos para ajudarem o tal "progresso sem ordem". Infelizmente, pessoas que não conseguem avaliar a dimensão do estrago naquela região são uma minoria, pois a maioria dos brasileenses está favorável as ações do Movimento Cerrado Vivo, que não atua no anonimato como disses. É só você perder algum tempo a mais na internet e procurar saber a realidade bem atual do que ocorre lá e saber que diversos segmentos estão se manifestando contra este empreendimento desde seu lançamento em janeiro deste ano. Fica a dúvida se não teve algum "laudo" de pseudo-técnicos ambientais recém saidos de uma faculdade atestando que este "matinho" que está sendo derrubado não tem importância alguma para o cerrado, os índios e os habitantes de Brasília que já estão racionando água, e estão destruindo um dos santuários das águas que abastecem a sua torneira. Ou você acha que a água é só abrir a torneira e está lá para seu uso? Sabes que elas vem das nascentes e afloramentos de água, da qual a floresta é peça importante para não secar as fontes e mananciais que abastecem as cidades? Pois procure se informar melhor sobre os bravos ambientalistas e a ação que está sendo desenvolvida partipando da próxima passeata deles. Saudações e obrigado por sua visita!

Robson Majus disse...

Não existe governo a serviço do povo e para a qualidade de vida de todos no DF(...) e sim governo a serviço dos empresários e pessoas especuladores imobiliarios. Uma Câmara Legislativa adormecida, balcão de negócios... Contra o povo... Isso não é novidade.
Novidade é são as pessoas de bem romperem com o silencio, mudarem o comportamento e agir em defesa da vida de todos os seres viventes.
Tem quer ser todos e não poucos. Povo de Brasília, do DF, Entorno... Brasil reajam!
"Pra frente Sucupira!!!"
Abreijo Coletivo!

Carolina disse...

Desta vez ou a população reage contra esta abusiva legalidade, ou então podemos falar em um país que perdeu totalmente a dignidade. Os licenciamentos são irregulares. A expulsão dos índios é totalmente criminosa e esse IBRAM só coaduna com essa gente ligada ao capeta, que quer destruir o cerrado para ganhar todas estas fortunas com estes empreendimentos. Eles vão se ferrar todos, nesta vida e na próxima. Vão ter que comer o pão que o diabo jogou fora!!!! Canalhas!!! IBRAM!!! TERRACAP! ARRUDA E OS SEUS CHEFES MAFIOSOS DE MERDA!!! VENDIDOS PARA O DEMÔNIO!!!